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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Toda cidade tem o Bar que merece



Caríssimos,

É uma pena. Outro dia escrevi por aqui o quão difícil é manter uma cena legal de música e cultura aqui na cidade. Os bares são escassos, os recursos são escassos, a cidade fica, a cada dia mais, aculturada, pobre (de dinheiro e de cultura) e mesmo existindo muita gente bem intencionada, parece sempre que é nadar contra a maré.

Segue o texto de despedida de Ingrid e Hetury, dando conta do fechamento do Bronx. Pedi permissão a eles para reproduzi-lo aqui.
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Toda cidade tem o bar que merece

Se nós nos perguntarmos, ou mesmo perguntarmos a alguém de qualquer parte do mundo o que se teria como ideal de um bar para se curtir na sua cidade, esse alguém provavelmente lhe responderia que o bar teria que ser de fácil acesso, com amplo estacionamento, onde qualquer tostão serviria para o guardador local. Que tivesse cerveja gelada, música ao vivo de qualidade pagável com míseros reais, onde você pudesse se encantar com quem você bem se entendesse sem se sentir desrespeitado ou intimidado, um lugar onde sua turma vivesse de fato em harmonia com o semelhante sem se importar com títulos ou sobrenomes, onde todos vivessem em completa harmonia. Seria possível um lugar assim, onde os seres vivessem suas fantasias em paz? Vos digo que sim, esse lugar de coexistência existe, ou melhor, até ontem existia, bem aqui no centro.

Os fatos que levaram até o encerramento das atividades do Bronx vão virar lenda, porque no fundo não importa o que se diga ou se escreva, no final faltou foi grana mesmo. É muito complicado trabalhar numa cidade onde não existe geração de renda. Vocês se lembram qual foi a última empresa que abriu na cidade que gerasse renda para mais de 1.000 pessoas? E olha que não estou falando de nem 1% da população campinense. Como se sai de casa para curtir sem grana? Não dá!

Como dinheiro gera dinheiro, essa é uma lei do nosso velho capitalismo, estamos indo para onde ele está no momento, porque por mais que as pessoas daqui neguem, um fato é relutante na minha cabeça, não consigo mais viver no marasmo. Por isso vamos a luta, vamos começar de novo.

Numa hora de despedidas são necessários os agradecimentos as pessoas que estiveram sonhando conosco até o ultimo timbre: A Fábio Rolim, Laércio Barros (o benevolente), Nivaldo segurança, Bob, Daianne Porto, Juliana Santos, Raoni Oliveira, Priscila, Caju, Isaac (Equipe Bronx); a todos os músicos daqui, dali e de acolá; aos parceiros e coletivos; aos amigos Helenaldo e Amanda, Adriano, Ivan, Carol e Danilo, Ellen, Poliana, a grande Val Danada, Patrícia, Robitcha, Célio Barros e os meninos super poderosos da Rox, Franz lima e Manu, a Felipanpis. A cada um de vocês, inclusive os esquecidos, o nosso simples OBRIGADO. Somos gratos pela capacidade de vocês em ajudar sem medida o próximo, esse é o significado real de SER humano.

E a você que sempre chegava pra nós e pedia com tanta vontade que desse certo e que agente permanecesse por aqui, desculpa, mas não deu.

Para você que torcia contra, desculpa, mas não deu certo, estamos indo para Fortaleza ver a copa com uns chegados, enquanto você vê pela TV de 14”.

E se foram dois anos de muita música, muitos amigos, sorrisos, abraços e beijos, cerva gelada e um calor danado, mas acima de tudo muita beleza. Como era bonito de ver o Bronx lotado, todos com os punhos cerrados para saudar o presente divino de VIVER.

A Maria Clara e a Cleuda pelas orações e bênçãos, que Deus as abençoe. Amo vocês.

A Ingrid, minha mulher, meu amor é seu, pra todo sempre, amém.

Valeu,

Até breve.

Por Maria, por Helena, por Nós.

Hétury de Araujo Estrela.

O Rappa - Dommus Hall - João Pessoa, 12 de novembro de 2011


Mais uma vez a completa certeza de que continua sendo a banda brasileira que mais produz e continua a produzir boa música, bons espetáculos, bons discos. Mais uma vez a energia que Falcão passa para a galera é uma coisa bombástica. Como se fosse morrer logo ali, depois do show então... como ele mesmo diz: BOTA PRA FUDER!!!

E esse show, diferente dos muitos que eu já vi, não teve espaço pra respirar entre músicas pesadas e mais leves, porque foi totalmente intenso, do começo ao fim. Talvez pela parada que deram de quase dois anos, motivada, aparentemente, por algumas diferenças entre os membros da banda, mas que no final se mostrou necessária não pelas diferenças, mas pelo cançaso mesmo de quase 20 anos de estrada, tenha feito com que tivessem vindo com tanta gana. Pelo menos é assim que Xandão tem dito nas entrevistas.

De toda forma, Falcão agradeceu algumas vezes por a galera "ter esperado o Rappa voltar" e mandou, no começo: "Avisa pra todo mundo que o rappa voltou!"

O show começou com o telão mostrando um tipo de resumo das conquistas do rappa, as capas dos discos, os prêmios de música, além de depoimentos dos integrantes, sempre falando da saudade da banda, do retorno, da renovação, do gás com que voltavam, da vontade de estar na estrada, e terminou com a frase: "O RAPPA ESTÁ DE VOLTA". E o estouro começou com "Lado B, Lado A" e a partir daí foi tudo uma pancada.


O palco estava todo montado com as mesmas artes do último CD/DVD gravado ao vivo na Rocinha, com madeiritos, caixotes e cordas, imitando palafitas e barracos, além das tradicionais projeções em todo o palco, mostrando o sincretismo religioso, imagens fortes de violência misturados com outras de esperança, crianças, e também com frases ou palavras. A bandeira da Paraíba também apareceu, levando ao delírio o público.

O show estava lotado, muito lotado mesmo. Liás, vendo o site oficial da banda, foi recorde de público na Dommus, com 8.700 pessoas. Mesmo pagando mais para o frontstage, não tem jeito, foi, em alguma hora, aperto. Só dá pra aguentar porque ali, na intensidade do show, ninguém tá nem aí para calor nem nada. Queria era curtir tudo o que tinha para curtir.

E Falcão sempre ajuda, jogando muita água pra galera. Ele parou o show duas vezes pra fazer isso. Era muito quente mesmo.

Coisa que também dá muito pra perceber é quem é fã mesmo ou quem vai pra escutar "pescador de ilusões" e "Vapor Barato". O show foi todo montado em cima do último trabalho inédito do grupo, "Sete Vezes". Assim, muita gente que não acompanha de verdade a banda, acaba ficando meio voando. Mas quem é fã mesmo sabe da qualidade do último trabalho, tão bom quanto todos os demais, até mesmo da referência (pelo menos para mim) que é o "Rappa Mundi".


Assim, vieram "Meu Mundo é o Barro", "Hóstia", "Fininho da Vida", "Súplica Cearense", "Documento", "7 Vezes", "Meu Santo tá Cansado", e "Monstro Invisível".

Entre elas, também não podem nunca deixar de acontecer as que sustentam a banda ao longo de sua história, ainda que algumas não sejam assim tão comuns, como "O Salto", "Homem Amarelo", "Papo de Surdo e Mudo" e "Linha Vermelha". Mas vieram também "Pescador de Ilusões", "Mar de gente", "O que sobrou do Céu", "Minha Alma", "Rodo Cotidiano" e "Reza Vela".

E assim foram quase uma hora e meia de muita intensidade que é próprio das bandas que gostam de tocar ao vivo. Com o apoio sempre providencial do DJ Negralha, fazendo as transições entre as músicas, o rappa continua muito bem na fita. E, segundo as notícias, entram em estúdio para gravar a partir de janeiro novo álbum que, segundo Xandão, será o melhor da carreira do Rappa. Que seja!


Outra nota boa foi Val Donato (muito melhor cantando rock pesado do que MPB ou o que o valha) e a banda Entidade, que se apresentaram antes do Rappa e não deixaram a galera parada nem sem cantar um minuto sequer, cantando RHCP, SOD, Audio Slave, Coldplay e por aí vai...

Bom show, Digno da história do Rappa e ainda bem acompanhado por bandas de apoio muito empolgadas com a chance, certamente, de abrir para mais uma apresentação memorável da melhor banda de rock do Brasil.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Pearl Jam - São Paulo - 04 de Novembro de 2011



Quando as rodas do avião tocaram no chão de Guarulhos, pensei: É hoje! Nem acredito!

A sensação ao entrar no Morumbi, mais ou menos às cinco da tarde, com uma temperatura perto dos 15 graus (e detalhe: eu morrendo, de bermuda e camiseta), me revelou uma das sensações mais legais em termos de manifestações musicais: Vou ter oportunidade de participar de um dos eventos mais incríveis da minha vida! E tudo apontava para tanto: O lugar (o cinquentão morumba) é lindo, as companhias ótimas, a cerveja gelada (mas também não tinha como esquentar...). Mas nada, absolutamente nada tirava o foco do que eu tinha ido ver ali: A maior banda de Rock em atividade.

Antes, uma esquentada com a Banda X, que mostrou o quanto estavamos distantes do palco, nas arquibancadas - é verdade - mas o quanto ficamos numa posição que fazia com que o som estivesse estrondantemente bom. Duas colunas de som estavam bem na nossa frente, o que facilitava tudo.


Pouco mais de nove da noite e a banda entra no palco para a abertura com a improvável "Go". Não bastasse, emendou com "Do the Evolution", já mandando o recado de que a noite seria impressionante.

Apesar da Surpresa inicial, é fato que essa é uma das características mais marcantes da banda: a imprevisibilidade do setlist. De fato, são mais de 80 músicas que potencialmnte podem ser tocadas. E é Eddie Vedder quem escolhe, normalmente minutos antes de cada show, as músicas que serão executadas. Isso faz com que - quem pode - acompanhe a turnê em todo o país, porque certamente escutarão variações bem significativas da execução da banda.

E Vedder disse: "Vocês são a maior platéia da turnê. Então merecem o show mais extenso." E assim foi: mais de duas horas de intensidade em um setlist com 29 músicas. Vedder, pouco depois, pediu desculpas, dizendo que ia falar em inglês com a plateira porque seu português era uma merda...". Estava bem a vontade e só trouxe ainda mais a galera pra se entregar ao momento.


De fato, apenas para registrar, se na quinta feira a banda executou "Daughter", "Corduroy", "Save You", "RVM" e "Porch" (acho que quatro das que mais gosto e, de todas, "Save You"), na sexta fizeram "Jeremy", "Wishlist", "Once", "Jeremy", "State of love and trust" e "Yellow Ledbetter", que encerrou a apresentação com a galera já em êxtase, as luzes do Estádio já acesas e uma multidão embasbacada cantando com a banda. Só para registro: "Last Kiss" poderia, certamente, ficar de fora por qualquer uma dessas que citei que foram tocadas na noite da quinta. Não faria a menor falta.

Os Blocos de música foram encerrados por "Black" - e todo o estadio cantarolando com a banda; "Jeremy" finalizou o segundo e "Yellow Ledbetter" pra fechar tudo.

Mas certamente restou claro que a condução do show foi toda feita com base no (ótimo) último trabalho da banda, o "Backspacer". Vieram, pela ordem "Got some" (a quinta a ser tocada); "Gonna See My Friend" (a oitava); "Amongst the waves" (a décima); "Unthought Know" (a décima quarta); "The Fixer" (a décima quinta) e "Just Breath" (A décima oitava - uma balada lindíssima).

A musicalidade da banda já é ponto absolutamente suficiente para gostar, mas depois de assistir PJ20 (o documentário sobre os vinte anos da banda), dá pra perceber porque os que tem um pouco mais de idade do que eu - e que foram adolescente ouvindo a banda - são tão fascinados por ela: O comprometimento que a banda tem com seus fãs produziu uma batalha que foi parar nos órgãos reguladores econômicos norte-americanos, numa alegação de enriquecimento ilícito por parte da Ticketmaster.


A partir daí a banda se colocava contrária ao monopólio da industria fonográfica e na produção dos shows. Além disso, foi (e é, mesmo sem repercussão midiádica - da qual Eddie Vedder parece ter verdadeira aversão) ativista a favor das campanhas por voto consciente e contra a política do Governo Bush (ainda que, em certas ocasiões possa ter enfrentado também resistência do público em shows...).

No palco, a banda mostra uma maturidade incrível e uma harmonia sonora que se vê pouco por aí - talvez no Coldplay e no REM... E Eddie Vedder trocou - porque a idade chega para todos - a loucura de escalar as estruturas metálicas dos palcos e execuções de Mosh que algumas vezes beiravam a loucura - pela companhia da guitarra e do violão, dando ainda mais vida às cordas da banda. A gritaria enlouquecida pela potência e equilíbrio vocal inigualáveis. Trocou a quebradeira do palco por duas pandeirolas que, no fim, joga para plateia. Trocou seus longos cabelos, bermudas e camisa quadriculada (que ainda aparecem no grunge(?)...) por um corte mais curto, uma calça jeans, camiseta e uma jaqueta ou camisa lisa preta...


Mas foi, do começo ao fim, um dos sonhos musicais se realizando. E assim: meio com a sensação de não ser assim tão ruim não ter nascido quando o Queen ou o Led Zeppelin já não existem mais. O Pearl Jam pode levar uma multidão de 60.000 pessoas ao delírio sem parafernalhas eletrônicas, sem enganação, sem efeitos visuais nem ninguém pendurado por cabos de aços ou coisa parecida... uma verdadeira aula de rock que fez todos os que estavam lá sairem se perguntando quando terão oportunidade, novamente, de ver tamanha manifestação de adoração à boa música, retribuída à altura por uma banda que parece ainda ter tanto para oferecer. Tomara que logo!

E para registro: nada melhor do que terminar o final de semana visitando meus tios e primos em São Bernardo! Havia dez anos que não sentava naquela sala pra tomar cerveja com meu tio. Parecia que há dez dias eu tinha estado ali. E a conversa na cozinha de tia Dinda continua a mesma! Todo mundo falando ao mesmo tempo! E meus primos são lindos! Melhor não poderia ser, definitivamente. E ainda deu tempo de ver todo mundo reunido no São Judas. Maravilha!

Fotos por Carol e Yve. Só a segunda que não é nossa.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Uma letra - N - Nando Reis


E agora, o que eu vou fazer?
Se os seus lábios ainda estão molhando os lábios meus?
E as lágrimas não secaram com o sol que fez?

E agora como posso te esquecer?
Se o teu cheiro ainda está no travesseiro?
E o teu cabelo está enrolado no meu peito?

Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo

Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
E te beijar
De novo

E agora, como eu passo sem você?
Se o seu nome está gravado no
Meu braço como um selo?
Nossos nomes que tem o "N"
Como um elo

E agora como posso te perder?
Se o teu corpo ainda guarda o
Meu prazer?
E o meu corpo foi marcado pelo seu?

Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo

Espero que o tempo voe
Para que você retorne
Pra que eu possa te abraçar

Espero que o tempo passe
Espero que a semana acabe
Pra que eu possa te ver de novo

Espero que o tempo voe
E que você retorne
Pra que eu possa te abraçar
E te beijar
De novo
De novo...de novo...de novo...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Indicados MTV para o VMB 2011


Finalmente a MTV Brasil resolveu parar de palhaçada e tentar fazer com que o Video Music Brasil seja, de alguma forma, respeitado. De fato, nos últimos anos, assistimos a uma série de absurdos que vão desde a quase unanimidade de Strike, Fresno, NX Zero, Detonautas e por aí vai, nas votações. O próprio NX Zero ganhar prêmio de melhor show do ano (lunar?). Ainda que o NX Zero ainda apareça em algumas indicações.

Não teremos o assunto "Restart vaiado" bombando no Twiter esse ano. Ele não concorre em nenhuma categoria.

Boas surpresas, outras que aparecem ainda incipientes na produção, mas que já mostra que há coisa nova e potencialmente boa sendo feita... Tulipa Ruiz, Criolo (que parece se firmar), Emicida (muito legal também no clipe que concorre ao melhor), Móveis (que concorre em melhor clipe e webclipe, mas poderia também estar em outras categorias tranquilamente...), enfim, há uma mudança de tendências, pelo menos.

Agora, um grupo de artistas, intelectuais, formadores de opinião, jornalistas musicais, cineastas é que tomarão a decisão a respeito dos vencedores de cada categoria. O "público" somente votará nas categorias de Webclipe, Webhit, Hit do ano e Artista Internacional.

Samuel Rosa, Herbert, Dinho Ouro Preto, Caetano, Falcão, Lenine, Seu Jorge, Rodrigo Amarante - se não estão indicados - pelo menos não ficarão boiando na platéia com cara de "quem é esse povo?".

E não falo nada em relação ao gosto do público, quando as categorias eram escolhidas todas pelo "público". As estratégias feitas pela própria MTV sempre deram muita possibilidade de se questionar as "vontades populares" expressadas através das votações via internet.

É bom para estimular o acesso às páginas da própria MTV que a emissora (que faz a sua programação completamente voltada para esse público jovem-colorido-abigobal e que vive no computador), empurre Fiuk e todas as bandas coloridas na programação, mas o interesse por tais bandas e artistas acaba sendo bem irreal quando se trata de mostrar realmente o que pode ser apontado como o melhor sobre aspectos técnicos e de representação efetiva de uma cultura (por mais subjetivo e mutável que isso possa ser).

Todos os indicados podem ser vistos na página da MTV brasil: http://mtv.uol.com.br/

Apenas para estimular, as indicações foram quase todas interessantes no melhor clipe do ano:

Criolo – "Subirusdoistiozin" (direção: Tom Stringhini e Alexandre Casagrande)
Emicida – "Então toma" (direção: Fred Ouro Preto)
Garotas Suecas – "Banho de bucha" (direção: Arthur Warren e Suza)
Jota Quest – "É preciso (A próxima parada") (direção: Conrado Almada)
Lurdez da Luz – "Andei" (direção: João Solda)
Mallu Magalhães – "Nem fé nem santo" (direção: Fabrício Pires Bittar de Carvalho)
Mombojó – "Antimonotonia" (direção: Fernando Sanches)
Móveis Coloniais de Acaju – "O tempo" (direção: Steve ePonto)
Pitty – "Só agora" (direção: Ricardo Spencer)
Thiago Pethit – "Nightwalker" (direção: Vera Egito e Renata Chebel)

Os destaques (vale a pena ver mesmo), na minha opinião, ficam por conta de Criolo, num clipe muito legal, mas de um final meio louco, Móveis, que ficou muito legal e foi filmado ao vivo e acompanhado pela internet (tem um trabalho de edição muito legal), Pitty, numa filmagem muito legal, como se fosse na década de 70, num trabalho de adaptação temporal, figurino e tomadas mesmo de vídeo muito legais e Thiago Pethit, principalmente por causa da atuação fabulosa de Alice Braga.

Guilherme Braga, Jornalista especializado em música e videoclipes foi o melhor que eu achei (no Yahoo), que postou sobre os vídeos, que podem ser assistidos em http://br.noticias.yahoo.com/blogs/altoebomsom/dez-videoclipes-concorrem-melhor-ano-no-vmb-165616730.html

Bom passo para a MTV voltar a ser prestigiada nos seu eventos.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Uma letra - Na primeira manhã - Alceu Valença



Na primeira manhã que te perdi
Acordei mais cansado que sozinho
Como um conde falando aos passarinhos
Como uma bumba-meu-boi sem capitão
E gemi como geme o arvoredo
Como a brisa descendo das colinas
Como quem perde o prumo e desatina
Como um boi no meio da multidão
Na segunda manhã que te perdi
Era tarde demais pra ser sozinho
Cruzei ruas, estradas e caminhos
Como um carro correndo em contramão
Pelo canto da boca num sussurro
Fiz um canto demente, absurdo
O lamento noturno dos viúvos
Como um gato gemendo no porão
Solidão.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Beth Carvalho e Jorge Aragão - Festival de Inverno de Garanhus - 22 de julho



Apesar de há muito ouvir falar, nunca tinha ido até a fria cidade de Garanhuns para participar do Festival de Inverno. E realmente, fiquei muito impressionado com a organização do evento e, principalmente, com as atrações do mesmo, espalhadas entre os dias 14 a 23 de Julho.

E é bom que sejam citadas, apenas pra não ficar na impressão de que é um show isolado: Geraldo, Alceu, Pato Fu, Otto, Frejat, Nando Reis, Gal Costa, Marina Lima, Marcelo Camelo, Fafá de Belém, Elba, Roberta Sá, Margareth Menezes, Nação Zumbi, Siba, Seu Jorge, Daúde, Luiza Possi, Karina Buhr são apenas as atrações principais no palco que é chamado Guadalajara. Além desse palco, espalhados pela cidade, outros palco dão oportunidade de conhecer música erudita, dança clássica e contemporânea, folguedos populares, arte circense e uma série de outras oficinas ligadas à cultura popular brasileira e da região.

Garanhuns é uma cidade com pouco mais de 130 mil habitantes, de clima extremamente agradável na região do Planalto da Borborema e exatamente por isso é chamada de Suiça Pernambucana. Verão ameno e inverno bastante frio.

Só tendo chegado à noite, pouco consegui (além dos shows, é claro) peregrinar para conhecer tudo que o festival oferece, o que só me deixou na certeza de que é evento para ficar uma semana inteira, bebendo da cultura promovida de maneira tão organizada como nesse festival, que deveria servir de modelo para os festivais da Paraíba que, à míngua, vão, ano a ano, se acabrunhando, sobrevivendo em razão de um esforço sobre-humano de meia dúzia de apaixonados pela cultura.


O primeiro show, depois da apresentação do grupo Samba e Mesa Autoral foi o de Beth Carvalho. Ela, que há cerca de dois anos operou a coluna - e por isso se movimenta com moletas e o show aconteceu com ela sentada atrás de uma mesa - mostrou uma energia e simpatia que contagiaram a audiência.

De fato, um show emocionante da madrinha de Zeca Pagodinho, que cantou todos os seus clássicos de samba, de frevo, de marchinhas de carnaval, de músicas românticas, muitas delas que habitam o meu tempo de criança e adolescente, ouvindo-a, juntamente com Agepê, João Nogueira, Alcione, Fundo de Quintal, Martinho da Vila e Clara Nunes.

Andanças, Água de Chuva no Mar, Acreditar, Vou festejar, 1800 colinas, A Chuva cai, Dor de Amor, Tendências, Coisinha do Pai, Corda no Pescoço, Saco de Feijão, foram algumas das que encantaram a platéia, que mesmo debaixo de alguns momentos de chuva razoavelmente forte, não arredaram o pé nem um segundo. E a Liga, toda de Ponchos de plásticos e regada a um bom 12 anos, curtiu o show numa animação só.

Depois de Beth sobe ao palco Jorge Aragão. Sambista de primeira linha, da estirpe de um Arlindo Cruz, Sombrinha, Zeca, João Nogueira. O Negão carioca, um dos fundadores do "Fundo de Quintal", trouxe o melhor de seu repertório para a madrugada fria (já perto das duas da manhã) para Garanhuns. De característica sempre melodiosa, seus sambas cantam o amor, a saudade, o sofrimento do negro. Uma banda aplicadíssima (e Jorge tem fama de extremamente exigente com sua qualidade musical e, consequentemente, seus músicos) faz um som envolvente, não deixando ninguém sem cantar seus grandes sucessos.



Eu e você sempre, Conselho, Identidade, Falsa Consideração, Coisa de Pele, Papel de Pão, Loucuras de uma Paixão, Moleque Atrevido, Malandro, Feitio de Paixão, Você Abusou, Encontro das Águas, Amor Estou Sofrendo, Logo Agora e por aí vai...

E por fim, ainda teve a Unidos da Tijuca pra fechar, a chuva apertando, o gas acabando e o povo insistindo em ficar... Até que fomos praticamente obrigados a retornar para a Van com destino a Campina Grande, cidade que deveria aprender com Garanhuns como é que se deve incentivar a cultura de uma cidade e de um povo.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Uma letra - Aos meus Heróis - Julinho Marassi

Essa foi uma música que agora há pouco James Castro, grande amigo (e amante da música) me mostrou. Fui pesquisar e achei o autor dela: Julinho Marassi, que faz dupla com Gutemberg, e cantam na noite do Rio de Janeiro. E o tal Julinho tem umas sacadas boas. Essa é uma delas.

Quem quiser ouvir a música, vá no link http://www.youtube.com/watch?v=PAz9PRUhXvQ que tem ela cantada por Chay Suede, que integrou uma das versões do ídolos. Ficou bem legal (a música e as fotos que aparecem também).


Faz muito tempo que eu não escrevo nada,
Acho que foi porque a TV ficou ligada
Me esqueci que devo achar uma saída
E usar palavras pra mudar a sua vida.

Quero fazer uma canção mais delicada,
Sem criticar, sem agredir, sem dar pancada,
Mas não consigo concordar com esse sistema
E quero abrir sua cabeça pro meu tema

Que fique claro, a juventude não tem culpa.
É o eletronic fundindo a sua cuca.
Eu também gosto de dançar o pancadão,
Mas é saudável te dar outra opção.

Os meus heróis estão calados nessa hora,
Pois já fizeram e escreveram a sua história.
Devagarinho vou achando meu espaço
E não me esqueço das riquezas do passado.

Eu quero "a benção" de Vinícius de Morais,
O Belchior cantando "como nossos pais",
E "se eu quiser falar com..." Gil sobre o Flamengo,
"O que será" que o nosso Chico tá escrevendo.

Aquelas "rosas" já "não falam" de Cartola
E do Cazuza "te pegando na escola".
To com saudades de Jobim com seu piano,
Do Fábio Jr. Com seus "20 e poucos anos".

Se o Renato teve seu "tempo perdido",
O Rei Roberto "outra vez" o mais querido.
A "agonia" do Oswaldo Montenegro
Ao ver que a porta já não tem mais nem segredos.

Ter tido a "sorte" de escutar o Taiguara
E "Madalena" de Ivan Lins, beleza rara.
Ver a "morena tropicana" do Alceu,
Marisa Monte me dizendo "beija eu"
Beija eu, Beija eu Deixa que eu seja eu
Beija eu, beija eu deixa qe eu seja eu

O Zé Rodrix em sua "casa no campo"
Levou Geraldo pra cantar no "dia branco".
No "chão de giz" do Zé Ramalho eu escrevi
Eu vi Lulu, Benjor, Tim Maia e Rita Lee.

Pedir ao Beto um novo "sol de primavera",
Ver o Toquinho retocando a "aquarela",
Ouvir o Milton "lá no clube da esquina"
Cantando ao lado da rainha Elis Regina.

Quero "sem lenço e documento" o Caetano
O Djavan mostrando a cor do "oceano".
Vou "caminhando e cantando" com o Vandré
E a outra vida, Gonzaguinha, "o que é?"

Atenção DJ faça a sua parte,
Não copie os outros, seja mais "smart".
Na rádio ou na pista mude a seqüência,
Mexa com as pessoas e com a consciência.

Se você não toca letra inteligente
Fica dominada, limitada a mente.
Faça refletir DJ, não se esqueça,
Mexa o popozão, mas também a cabeça.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Adriana Calcanhoto - Garden Hotel - 21 de Maio




No último dia 21 foi ver, pela segunda vez (depois de, pelo menos, uns 13 anos - o último show dela foi no Clube Campestre) a gaúcha Adriana Calcanhoto na sua turnê Trobar Nova.

Ainda àquela época (lá por 1995 ou 1996) foram produzidos, pelo menos na minha opinião, os dois melhores discos dela: Senhas e A Fábrica do Poema. Era uma loira lindíssima e nunca me esqueço de um vestido azul realeza com os cotovelos e joelhos à mostra. Eu era um adolescente que consumia (junto com um pequeno e seleto grupo de amigos) ferozmente Adriana, Marisa e a melhor de todas: Bethania.

Sábado aparece já uma bela senhora (no auge de seus 45 anos), de olhos verdes e uma serenidade extrema e de uma voz que é um veludo para os ouvidos. Nem de longe parece alguém que já entrou nua num palco para acompanhar Rita Lee... Mas encantadora, num vestido rosa choque e uma capa verde-amarela.

A serenidade só foi quebrada uma vez, depois que um chato insistente gritou, por umas três vezes: "canta Pão Doce!" e ela, delicada e firmemente respondeu, depois da terceira vez: "já ouvi, não precisa gritar, isso aqui é um teatro...". O povo aplaudiu (pra calar a boca do indivíduo), mas fica aquela tensão a cada passagem de uma música para outra, esperando outro gaiato mal educado gritar qualquer outra coisa. Ainda bem, não aconteceu.

Ela - que parece que ainda está sofrendo com uma fratura no punho direito - trouxe também à Campina Grande para acompanha-la nos violões, Davi Moraes, grande guitarrista e que, certamente, deu ao espetáculo um toque ainda mais primoroso (tendo em vista o grande instrumentista que é - mesmo sem desdenhar a que a própria Adriana é). Ele aliás, está encabeçando um projeto muito interessante chamado "Som e Areia", tendo organizado uma casa em Jericoacoara onde recebe músicos amigos para fazer som. O projeto passa no multishow e tem sido muito interessante.

Começou cantando "Beijo Sem" e emendou "Eu sei que vou te amar" .A partir daí vieram, principalmente, as consagradas "Medo de Amar", "Fico assim sem você", "Esquadros", "Mentiras", "Depois de ter você" que foi cantada junto com "Vambora", "Devolva-me", "Metade", "Canção de Novela", "Inverno", "Mais Feliz", "Maresia".

Não vou negar. Senti falta das músicas dos discos que mais gosto: "Senhas", "Grafitis", "Água Perrier...", mas é de se perdoar: muitas músicas dessa poeta ímpar que, certamente, não caberiam nas pouco mais de hora e vinte de show. Show aliás, curtido intensamente (entre uma cochilada e outra, é certo, mas também com muitas palmas!) pelo galego mais cultural do mundo, Daniel, que chegou, contando a avó que tinha escutado Adriana cantando "Avião sem asa, fogueira sem asa, sou eu assim sem você..."

Como notas positivas, a ótima performance de Val Donato e Daniel Pina como show de abertura. Parece que Val segue num caminho muito legal e com personalidade.

A outra, como respeito ao consumidor, as poltronas estavam todas numeradas, de maneira a evitar aquele tumulto sem sentido em lugares tão apropriados para apresentações como essas. Tomara que se torne um hábito sério.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Uma letra - O quereres - Caetano Veloso


Apesar de achar que se envolve em assuntos que não deveria (se bem que todos nós fazemos isso, mas sem publicidade e estardalhaço), não se pode negar que, por essa poesia (como músico sou mais Gil) Caetano merece o lugar que tem no cenário nacional. Aproveito para compartilhar o link que tem ele cantando (e matando) Chico Buarque. Vale a pena conferir.

http://www.youtube.com/watch?v=11VPSwInb4M&feature=fvst


Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e é de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock 'n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em ti é em mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente impessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há, e do que não há em mim

terça-feira, 17 de maio de 2011

Zeca Pagodinho e Santanna - Campina Grande - Mastodonte


Antes de mais nada, é bom que se registre o nome da casa de show: Mastodonte. E claro, todos perguntam o porquê da designação. Lendo (http://www.parahybaconvention.com.br/novo/geral/layout.php?subaction=showfull&id=1295475483&archive=&start_from=&ucat=1&) sobre a casa de show no site do Parahyba Convention Bureau encontra-se a notícia de que, a princípio, o local estava destinado a ser um posto de gasolina. Mas quando começaram as escavações para os tanques, foram descobertos fósseis desse animal pré-histórico. Daí surgiu a intenção, hoje consolidada, de criar um centro turístico onde hoje está o empreendimento que, então, foi batizado com o nome do animal.

As primeiras impressões (antes de chegar à casa de show) não foram as melhores: um engarrafamento daqueles fez com que, em média, se gastasse uma hora para conseguir chegar ao local do evento no km 165 da BR 230 (Lagoa de Dentro - Município de Puxinanã - 10 km de Campina Grande) onde também não tinha mais onde estacionar.

Não havia lugar e, onde havia, existia também o risco de atolar o veículo. Assim, as margens da transamazônica se transformaram em estacionamento, bem como dentro das ruas do Distrito (onde estacionei o meu carro). Bom que a polícia rodoviária estava a postos e não deixou a coisa virar uma verdadeira bagunça.

Dentro, parece que a casa pode vir a ser uma boa forma de termos alguma concorrência que melhore a maneira como somos tratados por outras casas de shows na região. Empresários, há anos, não fazem uma melhora sequer para amenizar o péssimo atendimento (entradas, bebidas, acessibilidade), as estruturas obsoletas, em currais (dentro das casas de show) feitos com andaimes, bebida de má qualidade, acústica terrível.

De fato, a Mastodonte, que não é tão grande assim (deve caber ali umas 8 ou 10 mil pessoas, no máximo) tem boa estrutura. Pendem do teto, muito elegantemente, 15 enormes luminárias que dão um ar de local bem apropriado para formaturas e festas de 15 anos o que - sendo mais perto do que a Quinta da Colina - provocará também concorrência para esses eventos (principalmente por ser bem maior). O teto é arquitetonicamente preparado para propagar o som em todas as direções. Som aliás que estava de muito boa qualidade, registre-se.

O show de Zeca foi muito bom. O maior bom vivant que o Brasil tem na minha opinião estava bem a vontade, animado, tomando a sua cerveja (aliás, a marca dela era o ponto fraco da festa, certamente obrigado pelo patrocinador do cantor...) que era reabastecida sempre que preciso.

O palco repleto de músicos de primeira qualidade, cerca de uns 20 ou 25 para fazer o repertório quase o tempo todo animado. Começou com "Samba pras moças" e depois entrou com "Jura". A partir daí vieram todas as que se espera de um show desse (as que me lembro): "Coração em Desalinho"; "Poxa"; "Maneiras"; "Verdade"; "Vai Vadiar"; "Uma prova de Amor"; "Água da Minha Sede"; "Ratatuia"; "Judia de Mim"; "Casal sem Vergonha"; "Seu Balancê"; "Lama nas Ruas".

O tempo inteiro Zeca se mostrou animado, levantando sempre brindes para a audiência, que, claro, se animava ainda mais, vendo que o próprio artista se diverte, tanto quando o público e, bebendo, como ele.

Terminado o show do Pagodeiro, apesar de muita gente ter ido embora, Santanna entrou para mudar o ritmo, mas não o clima da noite. O povo agora, agarrado, dançava o melhor forró pé-de-serra desse cearense do Juazeiro do Norte, que representa muitíssimo bem a carga cultural que lhe foi legada pelo grande Luiz Gonzaga.

O aboio, as cantigas das rezadeiras e das parteiras, a vida da lide do gado, as agruras do sertão, mas também o amor do caboclo nordestino (aos rabos-de-saia e à terra), dos arrasta-pés, a esperança na chuva, o apego à religiosidade são assuntos que povoam as suas canções, que o povo dançava e cantava com grande animação (até rimou).

Não fiquei até o final, mas ainda escutei, feliz: "A natureza das Coisas"; "Se tu quiser"; "me dá meu coração" (para mim uma das mais bonitas); "Vontade"; "Lembrança de um beijo"; "Pra nunca mais tu me deixar"; "D'estar"... todas elas fazendo o povo suar e já esperar feliz pelas palhoças no Parque do Povo...

Campina e região ganham, aparentemente, um novo empreendimento que começou bem. Com percalços de primeiro show, mas nada que retire o brilho da festa e a promessa de que teremos oportunidade de assistirmos shows com uma estrutura digna, como a cidade merece, sem sermos sempre empurrados para galpões sem estrutura, com péssimo serviço (de restaurante e de som), pagando caro e sendo desrespeitado enquanto consumidores.

A casa, inclusive, anunciou grande show internacional para o próximo mês. Tomara que seja um começo para colocar a cidade na rota de shows culturalmente relevantes, como o da noite de sábado.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Chico Cesar: "Não vai ter posição da rã no Parque do Povo!"



Bem, pra começar, quero expressar o meu mais sincero (sei que ele nem precisa, mas tudo bem) apoio a Chico César. Acho, observando os portais que noticiaram as suas declarações (reiteradas pelo Governador Ricardo Coutinho), entre os quais o Vírgula (http://virgula.uol.com.br), o Diário de Pernambuco (http://www.diariodepernambuco.com.br) e mesmo o G1 (http://g1.globo.com), que inclusive noticiou que o assunto está entre os mais comentados do país essa semana no twitter, que sua posição é correta, e em todos os sentidos: administrativo, cultural e social.

Administrativo porque entendo eu que o Poder Público tem o dever de, no mínimo, ponderar sobre os gastos que realiza, ainda que sejam em ocasiões onde a lei brasileira dispensa a salutar regra da licitação. Aliás (e eu sei que esse blog trata sobre música, mas não posso jogar na lata de lixo meus conhecimentos jurídicos) o art. 25, III da Lei 8666/93 estabelece uma via tranquila e fácil por onde passam todas as contratações artísticas, sob a proteção da inexigibilidade da licitação em virtude do artista (que nem sempre faz arte, diga-se da passagem), por singular que é na sua atuação, não poder entrar em concorrência porque somente ele pode prestar aquele serviço.

Hely Lopes, para completar, diz que, ainda que a competição esteja inviabilizada em virtude da questão personalíssima, ainda cabe à Administração justificar interesse público, legalidade e economicidade da contratação.

Quanto à legalidade, nada a dizer, porque gerar papel é facílimo na burocracia administrativa. E aliás, como o disse o próprio secretário estadual de cultura, também vejo que tais bandas (que normalmente têm milhares de patrocínios, merchandising, empresários, lobistas, políticos que apóiam, compram seus shows, outros que bancam suas apresentações - muitas vezes sob os agradecimentos reiterados, sem a menor cerimônia... - Ninguém vai ensinar o que é princípio da impessoalidade na administração pública pra Wesley Safadão, claro...) realmente "podem se prestar a irregularidades na prestação de contas por parte de administradores sem maior compromisso com o interesse público".

E mais: quando se fala de interesse público há uma grande tergiversação que deve ser esclarecida, e que o faz muito bem Celso Antônio Bandeira de Melo, dizendo existir dois tipos de interesse público, o primário e o secundário. Diz isso e, imediatamente, faz uma comparação, para facilitar a compreensão, entre interesses da Administração Pública e do Governo. O interesse público primário são as necessidades que devem ser buscadas pela Administração para prática de seu ofício, imparcialmente. Os interesses secundários (governistas) são decorrência do desempenho das suas atividades de gestão, ainda que com certa parcialidade, não objetivando fins tão nobres, mas a própria sobrevivência do erário, ainda que isto posso potencializar afronta à lei.

Dessa forma, o que tem acontecido, sistematicamente, em Campina Grande ao longo dos últimos dez anos, mais ou menos, é o absurdo do Governo se utilizar desse interesse secundário (que não é público, mas governista, com intuito de promoção pessoal e política), por meio de uma autorização legal, e, de maneira absurda, ao contrario de proteger os cofres públicos, arregaça-os às atrações que só vêm aqui uma vez por ano para assaltar os paraibanos, trazer cultura inútil e voltar felizes para o eixo Rio-São Paulo, onde têm de fazer uns 20 shows pra conseguir ganhar o que conseguem aqui numa só noite.

Querem trazer shows de cultura estranha à nossa para o São João? Concordo com Chico, novamente: Que venham, mas paguem por ele, não esperem que a Administração pague, porque o papel do Governo é promover a cultura local. Ou será que não?

A preservação do interesse público parece estar muito mais ligada à tantas e tantas obras e serviços que a população carente espera.

E ainda, sob o prisma administrativo, como demonstrar economicidade nessas contratações? Economicidade é nada mais do que o dever de eficiência do administrado na gestão do dinheiro público. José Eduardo Martins Cardozo diz que economicidade é o que determina o dever jurídico da Administração em utilizar técnicas para fazer negócios (mesmo atos unilaterais) que possibilitem a escolha objetiva da melhor alternativa existente entre as propostas ofertadas. Será que é difícil encontrar uma banda de forró que faça EXATAMENTE o que Aviões do Forró ou Garota Safada fazem, por 10% - ou menos - dos cachês que cobram (que chegam a exorbitantes 150 mil reais)?.

Então, entendo difícil de discordar, do ponto de vista administrativo, do Secretário de Cultura do Mago.

Do ponto de vista cultural e social a coisa parece ser ainda pior.

O que Chico Cesar relatou - eu eu estava lá - sobre o que aconteceu com Geraldo Azevedo, ilustra bem o desprestígio da nossa própria cultura, o que também nos coloca (nós, nossos pais, nossos filhos - se não cuidarmos dessa preservação também) como responsáveis: Geraldo Azevedo, um poeta, cantor e compositor de primeira linha, representante ímpar da cultura nordestina (artista, de verdade) parar seu show (porque o povo gritava: "Ô zezé, cadê você, eu vim aqui só pra te ver...) e dizer algo do tipo: Calma gente, que eles já vão entrar. Vocês precisam dar mais valor à cultura da nossa região. Só porque a gente não tá na novela das 8 não precisam fazer isso. Vou cantar pra vocês alguém que vocês deviam conhecer... E tacou um Jackson do Pandeiro, sob os protestos da platéia...

Costumo dizer que se Biliu tivesse nascido em Pernambuco, era um Capiba.

Se temos várias críticas ao povo de Pernambuco (é verdade, eles podem ser chatos mesmo!), por outro lado é de se louvar o que fazem em relação à valorização da própria cultura, futebol, raízes. Todo mundo sabe o espaço que dão a Biliu no São João... e de fato, ouvir Baixinho do Pandeiro, Cátia de França, Zabé da Loca, Escurinho, Beto Brito, Clã Brasil, Abdias, Dejinha de Monteiro, Aleijadinho de Pombal, Três do Nordeste, Livardo Alves, Pinto do Acordeon, Santana, Mestre Fuba, Vital Farias, Genival Lacerda, Flávio José (que só se ouve no São João) o próprio Biliu, mesmo Capilé e Niedson Lua, Fuba de Taperoá e difícil... não têm espaço, não são valorizados.



E a nossa maior festa popular deve ser utilizada para divulgação (e deleite financeiro) de cantores do eixo Rio-Minas-São Paulo? Não vejo lógica nenhuma nisso.

E, por fim, não há, de fato, identidade nenhuma desses artistas com a população local e o costume local. Alguns dizem: Não tem que ter, basta que o povo goste e pronto, tem que vir porque é uma festa popular e em festa popular deve prevalecer a multiplicidade de tendências. Ótimo, faça como em Pernambuco, que tem o marco zero como um pólo multicultural. Toca de Tudo, mas com muito, muito respeito mesmo aos artistas e atrações da terra. Em Olinda? Só sobe maracatu, frevo, manguebeat...

No ano passado, dava arrepios só de ouvir aquele sotaque Mineiro de Jorge e Mateus no São João de Patos. Me sentia em Barretos. E novamente: são artistas que, se não têm identidade com a terra, vêm porque os bolsos voltam cheios, vêm para tomar um espaço que, se já não existe na nossa pífia, cheia de jabá e ridícula programação de rádio local não pode ser apoiada pelo Governo, que tem obrigação de promover a participação intensa dos artistas da terra no período junino (e pagá-los também, porque também sabemos que têm trios de forró que ficam meses sem receber...)

Não entro muito nem no que diz respeito à qualidade da cultura(?) produzida por esses artistas(?). Mas só registro que concordo com Dominguinhos quando dizem que (muitos, não todos) são uma grande mentira. De fato. Pra mim, a cultura (e não a moda - que pode acontecer na música, tranquilamente) é aquilo que está impregnado à própria existência da sociedade, e perdura durante o tempo. Alguém pode me dizer qual a música que tocava há 3 anos atrás e que era a moda de Aviões do Forró? Não? Chupa, chupa que é de uva!!!

Pois é. Esse tipo de produção cultural irrelevante a gente chupa - e joga fora. Na verdade, melhor nem chupar, porque é bem indigesto. E depois pode vir: senta que é de menta, lamba que é de manga, beija que é de cereja, arromba que é de pitomba, mexa que é de ameixa, e vai o povo ficando idiotizado. E isso foi só o começo.

E fora toda a sorte de letras que fazem referências explícitas a sexo, a bebedeira gratuita, à consumismo descontrolado...(porque agora não existe mais sutileza não...) e o povo, as crianças, os jovens, de maneira geral, vão se aculturando com o que ouvem mesmo. E se a batida não está dando certo, se o som não é legal, muda-se, contanto que o povo, extasiado e imbecilizado, consuma. Não concordo que isso aconteça em uma festa que, em tese, presta-se à divulgação da cultura local. E o Poder Público deve também se preocupar com esse tipo de propagação deletéria.


Assim, vejo com muito bons olhos a atitude corajosa (de Chico César) e salutar para a Administração Pública e a Cultura Paraibana. Que se faça forró de plástico, funk, samba, rock, sertanejo, seja lá o que for (sou adepto da abertura cultural plena - apesar de ter ressalvas tremendas à muitos estilos, o que é diferente), mas que não seja a nossa maior festa popular o palco para tirar o espaço de quem representa, autenticamente, a cultura paraibana, tão rica e desvalorizada.

Parece que Chico César, que dança o Carimbó, o côco, cultua o forró, o xote, o xaxado, não quer, definitivamente, dançar na posição da rã - futuro hit, acredite, do São João de Plástico, que se não acontecer no Parque do Povo, acontece em outros lugares, certamente.

E para finalizar o pleito de apoio:

Nego forro quer dançar forró
Coco samba do morro
Quer dançar forró
Forró quente feito brasa de fogueira
Beijo de moça solteira
Com medo do caritó
Tum tum tum tlililingue tlilingue
E a secretária bilíngüe
Derretendo no xodó
Xale voa no cangote
Chamego de fazer dó
Dá pra ouvir a gemedeira
A sala numa nota só
É um tal de ui e ai
Mas quem tá dentro não sai
Pois é de nego forro
Esse forró
(Nego Forro - Chico César)

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Uma letra - Todas elas Juntas num só Ser - Lenine



Não canto mais Babete nem Domingas,
nem Xica nem Tereza,de Ben Jor;
nem Drão nem Flora,do baiano Gil,
nem Ana nem Luiza,do maior;
já não homenageio Januária,
Joana,Ana,Bárbara de Chico;
nem Yoko,a nipônica de Lennon,
nem a cabocla de Tinoco e de Tonico.
Nem a tigresa nem a Vera Gata
nem a branquinha de Caetano;
nem mesmo a linda flor de Luiz Gonzaga,
Rosinha,do sertão pernambucano;
Nem Risoflora,a flor de Chico Science,
nenhuma continua nos meus planos;
nem Kátia Flávia,de Fausto Fawcett;
nem Anna Júlia do Los Hermanos.
Só você,
hoje eu canto só você;
só você
que eu quero porque quero,por querer.
Não canto de Melô Pérola Negra,
de Brown e Herbert,nem uma brasileira;
De Ari,nem a baiana nem Maria,
nem a Iaiá também,nem minha faceira;
de Dorival,nem Dora nem Marina
nem a morena de Itapoã;
divina garota de Ipanema,
nem Iracema,de Adoniran.
De Jackson do Pandeiro,nem Cremilda;
de Michael Jackson,nem a Billie Jean;
de Jimi Hendrix,nem a doce Angel;
nem Ângela nem Lígia,de Jobim;
nem Lia,Lily Braun nem Beatriz,
das doze deusas de Edu e Chico;
até das trinta Leilas de Donato
e da Layla,de Clapton,eu abdico.
Só você,
canto e toco só você;
só você,
que nem você ninguém mais pode haver.
Nem a namoradinha de um amigo
e nem a amada amante de Roberto;
e nem Michelle-me-belle,do beattle Paul,
nem Isabel - Bebel - de João Gilberto;
nem B.B.,la femme de Serge Gainsbourg,
nem,de Totó,na malafemmená,
nem a Iaiá de Zeca Pagodinho,
nem a mulata mulatinha de Lalá;
e nem a carioca de Vinícius
e nem a tropicana de Alceu
e nem a escurinha de Geraldo
e nem a pastorinha de Noel
e nem a namorada de Carlinhos
e nem a superstar do Tremendão
e nem a malaguenha de Lecuona
e nem a popozuda do Tigrão.
Só você,
hoje elejo e elogio só você;
só você,
que nem você não há nem quem nem quê.
De Haroldo Lobo com Wilson Batista,
de Mário Lago e Ataulfo Alves,
não canto nem Emília nem Amélia,
nenhuma tem meus ''vivas'' e meus ''salves''!
E nem Angie,do stone Mick Jagger;
e nem Roxanne, de Sting, do Police;
e nem a mina do mamona Dinho
e nem as mina ? pá! - do mano Xiz!
Loira de Hervê,Loira do É O Tchan,
Lôra de Gabriel,o Pensador;
Laura de Mercer,Laura de Braguinha,
Laura de Daniel,o trovador;
Ana do Rei e Ana de Djavan,
Ana do outro Rei,o do Baião;
nenhuma delas hoje cantarei,
só outra reina no meu coração:
Só você,
rainha aqui é só você;
só você,
a musa dentre as musas de A a Z.
Se um dia me surgisse uma moça
dessas que,com seus dotes e seus dons,
inspira parte dos compositores
na arte das palavras e dos sons,
tal como Madallene,de Jacques Brel
ou como Madalena,de Martinho
ou Mabellene e a sixteen de Chuck Berry
ou a manequim do tímido Paulinho
ou como,de Caymmi,a moça prosa
e a musa inspiradora Doralice;
se me surgisse uma moça dessas,
confesso que eu talvez não resistisse;
mas,veja bem,meu bem,minha querida,
isso seria só por uma vez.
Uma vez só em toda a minha vida,
ou talvez duas,mas não mais que três!
Só você,
mais que tudo é só você;
só você,
as coisas mais queridas você é:
Você pra mim é o sol da minha noite,
é como a rosa luz de Pixinguinha;
é como a estrela pura aparecida,
a estrela a refulgir do Poetinha;
você,ó floré como a nuvem calma
no céu da alma de Luiz Vieira;
você é como a luz do sol da vida
de Stevie Wonder,ó minha parceira.
Você é pra mim o meu amor
crescendo como mato em campos vastos;
mais que a Gatinha pra Erasmo Carlos,
mais que a cigana pra Ronaldo Bastos,
mais que a divina dama pra Cartola,
que a domna pra Ventadorn,Bernart;
que a Honey Baby para Waly Salomão
e a Funny Valentine para Lorenz Hart!

Só você,
mais que tudo e todas,é só você;
só você
que é todas elas juntas num só ser!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Rock n' Roll, Baratas e a noite de Campina Grande



Sexta feira, chegando de Patos, fui até a Estação Velha, na "Cachaçaria". Há muito não ia naquele lugar e pensei logo o quanto trash a coisa estava por aquelas bandas. Normalmente, dá pra ver logo quando se passa de carro ao lado do estacionamento, que muitas vezes se torna o próprio evento: tampas de carros levantados tocando a tarrachinha, garrafas de qualquer coisa alcoólica em cima dos capôs, popozudas, pitboys e correntes de amarrar navio nos pescoços. Mas vá lá, cada um curte a sua onda.

Uma das coisas que tenho notado a sério em Campina Grande é que a cena musical parece ser muito boa já há algum tempo. Me arrisco a dizer, acho que sem medo de errar, que a qualidade musical das bandas de rock (rock mesmo - punk, indie, britrock, mesmo surf music, rock alternativo) campinenses se destacam mesmo em face das bandas da capital. Agora, o que não existe em Campina é um lugar decente para as apresentações.

De fato, não existe nenhuma instalação onde essas bandas possam se apresentar de maneira adequada.

O Bronx se esforça para ser um lugar legal. E é, na verdade. Mas não tem condições mínimas de estrutura - a banda fica com os instrumentos um em cima do outro, se torna um forno quando está mais cheio - não há ventilação nenhuma (a não ser pelos ventiladores que parecem catalisar a fumaça dos cigarros que impregna até as cuecas e causa uma ressaca triplicada...), tudo é complicado. Além da própria localização, já que o centro da cidade sempre é delicado em relação à violência.

Talvez o Opção Bar esteja no caminho certo para retomar a cena do saudoso Lennon. Tomara que aconteça mesmo.

Mas nada se compara ao que vi sexta. Pra começar, uma escuridão absurda no estacionamento. Nenhuma luz estava acesa em nenhum poste. Breu geral. Show Box - muito legal por sinal. A galera fez um som de muita qualidade, muito animado, e principalmente, com muito Muse.

Mas ao adentrar ao recinto que outrora até foi o lugar melhor de se ir em Campina percebi que a coisa era muito pior: cenário de abandono que poderia servir a qualquer filme de Zé do Caixão: Teia de aranha por todo canto, sujeira absurda em tudo que é lugar, várias cadeiras e tamboretes quebrados, vidros quebrados emendados com durex (no caixa onde se compra as fichas para as cervejas), freezers completamente ruídos pela ferrugem... e por aí vai.

O cheiro no caixa era uma coisa de outro mundo: podre misturado com naftalina e, por cima, aqueles desinfetantes que se compram ainda nos carros de difusora no meio da rua. Subia que ardia os olhos.

Mas o pior ainda estava por vir... depois de notar todo esse cenário (não de uma só vez, mas gradativamente...) estávamos eu e um grande amigo recebendo as nossas cervejas no bar quando, de repente...: "Quem quer casar com a Dona Baratinha que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?"

Era só o que eu me perguntava quando uma voadora marrom dessas que a gente adora apareceu, sem cerimônia nenhuma, em cima do balcão... ficamos assim, meio atônitos, sem saber exatamente como fazer por uns segundos - segundos estes que também usamos para avisar as meninas que estavam perto e que (claro!) puderam exprimir aquele gritinho característico de pavor... e, depois - como estávamos pagando pelo serviço de entretenimento - avisamos a um dos atendentes do bar.

Ato contínuo, ele veio de lá e eu pensei cá comigo: "Ele vai estraçalhar essa coitada agorinha no balcão, quer ver?"



Ledo engano. Quando menos se espera, o dito atendente vem em direção à barata feito um louco e, de repente, saca de um SBP (terrível contra os insetos. Contra os insetos!) que estava estrategicamente preparado e engatilhado embaixo do balcão e "tsssssssssssiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii" em cima da Dona Baratinha que, cambaleando, cai no chão, numa overdose involuntária, ao som dos Strokes, cantando "Reptilia". Bem que poderia ser "Inseptilia"... (ixe, homenagem à Olímpio).

E aí ficamos todos boquiabertos. O sujeito já estava completamente preparado para as visitas, aparentemente frequentes desses vetores patogênicos de bactérias, vírus, fungos e por aí vai.

Disso não se pode nem desconfiar, pois ainda matamos umas duas que caminhavam alegremente no chão do recinto. E depois ficamos olhando (e avisando) as pessoas que iam até o bar e apoiavam inocentemente, seus cotovelos no balcão, devidamente besuntado de SBP... deplorável mesmo. E depois que olhei para uma das mesas vazias e vi os restos mortais de um prato de batata frita... vou nem dizer o que pensei, né?

O povo de Campina sabe fazer música sim. Precisa é ser, pelo menos, respeitado. As bandas precisam de lugares adequados para levar um som de qualidade, que sabem fazer. E nós... Bem, nós nos contentamos com quase tudo. Quase. Precisamos também frequentar lugares em que as bandas se sintam a vontade para tocar e que nós, enquanto consumidores (de boa música e de um mínimo de estrutura!) possamos curtir sem viver passando perrengues. É o mínimo.


foto: recadosinsanos.com.br

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Rio Beats - Seu Jorge e Monobloco - Chevrolet Hall - 02 de abril



No último sábado, dia 02, vi um negão entrar com uma camiseta onde estava escrito: FILA de uma Égua. Daquelas que podem ser compradas em qualquer feirinha nas capitais do nordeste, mesmo, ou em cidades turísticas. Aliás, meu irmão tem uma, comprada em Pipa, no último Reveillon. No caso do outro negão (Seu Jorge), era de Natal-RN. Podia ser meio esculhambado e tal, mas o negão tava com um puta óculos escuro e, com a moral que está, pode tudo.

Começou com "Chega no Suíngue", mostrando logo que além de uma voz marcante e inconfundível, tem um molejo do samba-funk e gosta da participação intensa da platéia, que foi várias vezes chamada pra cantar junto com ele. Com a flauta transversal em punho, emendou com "América do Norte", "Tive Razão", depois "Carolina" e "Pessoal Particular", deixando claro que a noite seria, definitivamente, de muito suígue, muito samba, soul, funk e charme, sem muito espaço para as canções mais tranquilas. E foi mesmo.

Aliás, uma das mais tranquilas que ele trouxe, lindamente, era do Hyldon, "Na Rua, na Chuva, na Fazenda (Casinha de Sapê)", que inclusive tem uma versão de Paula Toller cantando com Lenine, que ficou muito legal (no DVD acústico do Kid Abelha).

Declamou ainda "Capão Redondo" dos Racionais MC's (que eu não conhecia até então - quando sua veia ator se revelou de maneira mais acentuada) que emendou com "Zé do Caroço" - Numa referência clara - nas duas músicas - às condições sociais do Brasil, condições essas que ele mesmo conhece bem, tendo sido morador de rua.

Muito cavaquinho, muito surdo, muita cuíca para um show em que Seu Jorge mostra que interpreta tanto quanto canta, dançando, chamando a galera pra cantar "São Gonça", "Mina do Condomínio" e até mesmo "Samba Rock" (que eu não esperava no setlist, mas uma das minhas preferidas) e "Hágua" (numa sempre preocupação ambiental). Clímax, tocou "Burguesinha" para encerrar a sua apresentação que terminou por volta de meia noite e meia, em quase uma hora e meia, portanto, de espetáculo. A noite só começava, para os que estavam no Chevrolet Hall e para o próprio Seu Jorge.

A nota ruim é que nunca fui ao Chevrolet Hall para ter um atendimento tão atabalhoado quanto dessa vez. Falta que organização que saltou aos olhos, durante os show e, principalmente, no intervalo, quando se tornou uma verdadeira maratona comprar qualquer coisa no bar. Pareceu, por um instante, que os organizadores não acreditavam muito na própria festa.



De fato, uma hora depois (a outra nota ruim) os tambores começaram a ecoar na casa de show e a galera começou a cantarolar M-O-N-O-B-L-O-C-O! Que beleza, Uh! Monobloco! Entra em cena esse grupo carioca, criado pelos integrantes do Grupo Pedro Luis e a Parede, que é formado por 160 integrantes na sua totalidade, mas que, por óbvio, fora do Rio, viaja com uns 25 membros, entre surdos, cuícas, tamborins, caixas, tamborins, reco-recos e claro, cavaquinho, violão, viola e baixo.

É um show para Marquês de Sapucaí nenhum ficar com inveja: "Lendas da Sereia (Rainha do Mar)", "Coisinha do Pai" e "Vou Festejar" de Jorge Aragão, "Imunização Racional" (Que beleza!) do Tim, "Frevo Mulher", "Aquarela Brasileira", "Taj Mahal", "Fio Maravilha", "País Tropical", "Leme ao Pontal", "Explode Coração (Enredo do Salgueiro - 1993), "Pagode Russo" (do Grande Luiz Gonzaga) são algumas das músicas que exlodiram no palco, fazendo a galera (que não arredou o pé) sambar e pular de alegria em quase duas horas de show.

Por falar em arredar o pé, quem não foi embora foi o próprio Seu Jorge, que participou intensamente de quase todo o show do Monobloco, tomando aquela cerveja gelada e curtindo, sem maiores responsabilidades, o sambão que se instalava no Recife.

Cantaram também (para o delírio da galera recifense) "A praieira" (do Chico Science) e "Anunciação" (de Alceu), e, para mim, o auge, foi quando cantaram "É hoje" (Didi e Maestrinho, interpretada outrora por Caetano):

"A minha alegria atravessou o mar
E ancorou na passarela
Fez um desembarque fascinante
No maior show da terra
Será que eu serei o dono dessa festa
Um rei
No meio de uma gente tão modesta
Eu vim descendo a serra
Cheio de euforia para desfilar
O mundo inteiro espera
Hoje é dia do riso chorar
Levei o meu samba pra mãe de santo rezar
Contra o mal olhado eu carrego meu patuá
Eu levei !

Acredito
Acredito ser o mais valente, nessa luta do rochedo com o mar
E com o ar!
É hoje o dia da alegria
E a tristeza, nem pode pensar em chegar
Diga espelho meu!
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu
Diga espelho meu
Se há na avenida alguém mais feliz que eu"

Aí não pude fazer outra coisa, senão me entregar de vez à passarela.

Eu, Mestre-Sala, rodopiando e reverenciando minha porta-bandeira pelo salão, numa apoteose de apresentação do pavilhão da alegria, como quem desfila na Sapucaí, mas em terras de Maracatu. Difícil de esquecer (como diria o próprio Seu Jorge).

quinta-feira, 31 de março de 2011

Uma letra - O que será - Chico Buarque



(Para o meu irmão, Vi)

O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho...

O que será, que será?
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos...
Será, que será?
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido...

O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo.



foto:http://www.coliseulisboa.com/evento.php?id=212

quinta-feira, 17 de março de 2011

Maria Bethânia e seu blog de 1,3 milhões de Reais




Apesar desse blog estar voltado à comentários e discussões acerca, basicamente, de música, não tive como ignorar os bombardeios já criados por e-mails, notícias nos sites de jornais (), notícias circuladas no facebook (apesar de eu não ter um) e comentários dos colegas professores aqui em Patos sobre a possibilidade do fornecimento de 1,3 milhões de Reais para a criação de um blog por Maria Bethânia, com direção de Andrucha Waddington, que consistiria na disponibilização, pelo referido blog, de uma poesia por dia, "pílulas de poesia", como descrito no projeto, durante os 365 dias do ano, de poetas escolhidos pela própria Bethânia (ela que sempre lê seus poetas favoritos durante seus shows).

De fato, como cidadão brasileiro que definitivamente se incomoda com a falta da difusão (e acesso) da cultura no nosso país, não posso deixar de fazer algumas considerações acerca do tal projeto (http://www.cinemaemcena.com.br/pv/BlogPablo/file.axd?file=2011%2F3%2FProjeto+Cultural.pdf).

Primeiro, não há como negar: pode-se preferir outra, mas Maria Bethânia representa, irrefutavelmente, muitíssimo bem a cultura da música brasileira. Isso não se discute.

Mas é outra coisa. Acreditar no engodo de que um projeto que prevê uma liberação de 1,3 milhões de Reais (orçamento de um ano) para um blog possa ter alguma justificativa plausível é absurdo.

Para não cometer leviandade, li detidamente os detalhes do projeto, que conta, entre outras coisas, com gastos de R$ 5.000,00 para telefone (mesma verba para motoboy), R$ 2.500,00 para assistente administrativo (a mesma verba da assessoria jurídica!), Pesquisa dos textos (que Maria tem em casa? Pode assistir os DVDs dela que aparece nos extras, ela em casa, lendo seus preferidos...) custando R$ 3.000,00/mês, uma coordenação Editorial de R$ 10.000/mês e a bagatela de R$ 50.000,00/mês pra direção artística!!! De um blog?

Não estou aqui diminuindo os serviços dos profissionais que têm sido cada vez mais importantes nos dias atuais: programadores, designers, profissionais de mídia e correlatos, mas no meu sentir, estamos diante de uma clara (das muitas que existem por aí, só que mais escancarada!) formas de dilapidação da verba pública, no desejo de utiliza-la em proveito particular.

É brincar com uma pequena parcela da população que tem consciência do quanto projetos culturais com esse aporte orçamentário poderiam - com outras práticas mais simples e eficazes - beneficiar muito mais do que somente à elite que tem acesso à esse tipo de cultura de internet (que são praticamente os mesmos que a produzem) e que é o chamado "público alvo" no projeto. Ou será que se está esperando que os jovens da periferia se interessem em ler os sempre queridos portugueses Fernando Pessoa e Manoel Bandeira, declamados nos shows da cantora???

Uma coisa é a produção de um filme (e olha que dá nojo ver o tanto de incentivo estatal que o cinema brasileiro possui - coisa única no mundo, pelo menos que eu saiba), que envolve, certamente, uma série de necessidades técnicas, de profissionais inúmeros e feito, obviamente, com o intuito de arrecadação de bilheteria. Outra coisa é um projeto que se esconde atrás de uma justificativa completamente capenga de que ajudará a cultura brasileira.

Que circulará bem pelo prestígio que goza a irmã de Caetano, não há dúvidas disso. Inexplicável são as condições para que isso aconteça. Ainda mais quando não há nenhum, registre-se, nenhum tipo de preocupação de inclusão social, participação de instituições culturais do terceiro setor sem fins lucrativos, nada. Ah! No projeto diz que o acesso ao blog é gratuito... agora sim, tudo certo, cumpre sua função social porque não cobra para ver os vídeos... entendi.

Portanto, se querem fazer cultura realmente, os envolvidos no projeto deveriam, por iniciativa própria (e olha que prestígio para tanto não falta - o próprio projeto se encarrega bem de demonstrar a larga experiência e excelência dos idealizadores, produtores e executores...) buscar meios privados de financiamento, estimulando a participação de toda a população, sobretudo incluindo aqueles que não têm acesso à cultura da internet e penam nas escolas públicas do Brasil para ler um livro de literatura nacional...

Continuarei amando a música, arte e obra de Maria Bethânia, porque são realmente lindos. Mas o projeto é um completo absurdo.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Uma letra - Super-Homem, a Canção - Gilberto Gil



Um dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria
Que o mundo masculino tudo me daria
Do que eu quisesse ter
Que nada, minha porção mulher que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É o que me faz viver
Quem dera pudesse todo homem compreender, ó mãe, quem dera
Ser o verão no apogeu da primavera
E só por ela ser
Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um Deus o curso da história
Por causa da mulher
Quem sabe o super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um deus o curso da história
Por causa da mulher

terça-feira, 15 de março de 2011

Carnaval Olinda - Recife 2011


Mais um Carnaval no trecho Olinda-Recife. Um circuito onde apesar do carnaval ser também uma festa de elite (não é Rachel Sherazade? - Vide Youtube) apresenta também, para os que ainda querem fugir de toda a porcaria (que consumimos, claro, com todas as "foge, foge mulher maravilha, foge, foge, superman!"), de maneira satisfatória, acesso à boa música, a espetáculos de cultura popular efetivamente para o povo (pois nem olinda tem camarote vip na Ribeira nem nos Quatro Cantos nem o Marco Zero tem front-stage...).

Mas vamos lá. Primeiro, em virtude de um trânsito realmente pesado entre Campina e Recife (na verdade saindo de João Pessoa - tive de ir pela rota do sol até Jacumã e de lá sair pela BR 101...) acabei chegando muito tarde em Recife e, talvez, tenha perdido uma das maiores apresentações de música popular (feminina) dos últimos tempos: Ana Canas, Céu, Elba, Pitty (que não estava na programação inicial), Roberta Sá, Marina Lima, Mariana Aydar, Izaar, Karina Buhr, Maria Gadu, Nena Queiroga, Zélia Duncan, Fernanda Takai.



Só deu tempo de ver, de longe, ainda chegando, Pitty cantando "Me adora", Mariana Aydar (que depois dividiu o Palco com Elba) e a última música, onde todas cantaram, junto com o Diretor do Espetáculo (que tem roteiro de Braulio Tavares!!!), Lenine, uma música chamada "Sob o mesmo Céu", que é, inclusive, o nome original do show (que foi chamado agora de "Mulheres do Brasil"), que inicialmente trazia Fafá, Alcione, Sandy, Vanessa da Mata, Fernanda Abreu, Elba, Margareth Menezes e Ana Carolina.

O que deu pra ver, ainda que somente no fim, foi um espetáculo cuidadosamente preparado com todo o talento de Lenine que, aliás, no dia seguinte se apresentou com Vanessa da Mata.



Ele, claro, talvez seja o artista pernambucano mais prestigiado atualmente. O que lhe dá, inclusive, a possibilidade de fazer música quase experimental no sábado de carnaval, mesmo para uma platéia que sempre está disposta a pular freneticamente. Um show mais melodioso, talvez, com participações especiais de artistas da cultura africana. Tcheka, de Cabo Verde, e Blick Bassy, de Camarões, foram os convidados.

Mesmo assim, “Aquilo que dá no coração”, “Martelo Bigorna”, "Dois Olhos Negros", “Voltei Recife”, “Paciência”, "Lavadeira do Rio", "Candeeiro Encantado", "A Rede", "Aquilo que dá no coração", "Voltei Recife", "Relampiano", foram algumas das que foram tocadas. Lenine retorna, duas vezes, para o bis, para encerrar de verdade, cantando "Alzira e a Torre", efusivamente cobrada pelo público, a quem responde:"poxa, a gente tenta fazer uma coisa nova pra vocês e vocês querem Alzira e a Torre? Então vamo lá!".

Mas é isso que o povo quer: sugar de tudo que Lenine pode produzir e mostrar de novo e de novo, e não há quem canse!



Quanto ao show de Vanessa da Mata, só comprovei o que já havia dito aqui em outro post: Ela é uma artista que tem suas virtudes (como compositora, inclusive), mas no palco deixa muito a desejar, sobretudo quando comparada com outras artistas do mesmo gênero, como Roberta Sá ou mesmo Céu. Faz falsetes terríveis e grita muito (não como Ana Carolina). Cantou uma música de Rita Lee (que disse ter preparado especialmente para o carnaval) que foi de arrepiar - de horror mesmo. Mas cantou seus grandes sucessos(Boa Sorte, Aiaiaiai, Não me deixe só, Ilegais), agitou a galera e também emocionou, cantando a enjoadinha, mas belas, "Amado" e "Vermelho". Registro para a muito bem feita "Pirraça". Ainda fez graça cantando "Stirt it Up" de Bob.

Já na segunda feira, uma chuva torrencial acabou nos levando a voltar pra casa quando não contava mais do que 15 minutos do show de Martnalia (que afirmo ser realmente a versão mulher(?) de Martinho da Vila). Não havia nenhuma possibilidade de ficarmos ali sem escafandros ou o que valesse. Nesse momento, e em outros que ainda viriam, percebi como os taxistas de recife são realmente preparados: os bancos dos carros são - quase sempre - cobertos de couro! Certamente já esperando os pintos molhados que saem das ruas do marco zero. Era muita, muita chuva mesmo.

O não comparecimento nos shows de Alceu Valença e Elba Ramalho foram motivados pelas intempéries, digamos, físicas, causadas pelas ladeiras de Olinda. Todos os dias as ladeiras foram visitadas sob um sol causticante, acompanhado de muita troça, muito maracatu (registre-se a presença, inclusive, de um grupo de Maracatu de Campina Grande, que soube que faz ensaios às sextas feiras no CUCA) e claro, muito frevo.

Tudo parte de um carnaval que preserva as suas raízes (ainda que se ouça, fora - e ao redor - do eixo Recife-Olinda, música baiana, mas também rock e tantas outras vertentes...) e entendo que, no Brasil é realmente o que mais possibilita a participação do povo, sem excluir o grande público em espaços privilegiados, impossibilitando que ele chegue perto do artista.

No mais, aqui e acolá, a presença de Chapeuzinho Vermelho (sem balas de absinto, desta feita) provocava a aproximação de vários lobos-maus e até de gente do pré-sal (?), e, desavisada do hit do momento, a Mulher Maravilha teve de aguentar muito, mas muito mesmo (junto com a Super-Girl) gente avisando pra ela fugir, fugir e fugir. Pobre coitada, deixou o seu jato nas areias da Praia de Cabo Branco - Essa onda de preservação da natureza pela diminuição do consumo chegou até mesmo aos super-heróis.

Ainda deu tempo pra ficar noivo (junto com Olímpio - esse de verdade!!!) com cara de pagodeiro (óculos branco sempre ajuda) e fazer tipo, derretendo de calor no sobe e desce de Olinda. Todo o carnaval divertidíssimo, e sempre que alguém pensava em ficar meio mole, ou passional por dentro, vinha, lá do âmago a mensagem: "Eu fico triste - Alegre! Sem beber eu fico triste, bebendo eu fico alegre!" Fosse nas ruas de Olinda ou de Recife, fosse embalando atendentes do Macdonalds no Tacaruna, ou mesmo formando um Mini-bloco com umas velhinhas no final de Olinda... que perguntaram se a gente era bipolar (triste-alegre?)... Só no carnaval mesmo pra isso acontecer... Demais, demais...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Geraldo Azevedo no Campestre





No último dia 12, tive oportunidade de ver um ótimo show no Clube Campestre de Geraldo Azevedo. Aliás, para registrar, de organização cuidadosa, sem desrespeitar o consumidor, colocando mais gente do que a capacidade do local, com boa qualidade de som e atendimento de bar decente (era Heineken!).

Pessoalmente, foi muito bom, a turma ótima, animada, como sempre e, pra variar, saindo nas últimas.

Geraldo fez um show bem intimista, só voz e violão, mas de sua geração (e de seu estilo) talvez somente Elomar e Xangai (com quem já fez vários shows no projeto Cantoria) sejam melhores do que ele na viola. Então, pouquíssima falta faz uma banda acompanhando um artista tão virtuoso no dedilhar de seu pinho.

E assim, tudo que se espera de Geraldo veio, somente ele e o violão, uma atrás da outra, sem dar oportunidade nem de dizer que a última tinha sido maravilhosa, porque já vinha outra melhor: Bicho de sete cabeças (sempre numa performance emocionante), Dona da minha cabeça (uma das que o público mais participa, sem nenhuma dúvida), Moça Bonita, Menina do Lido, Chorando e Cantando, Táxi Lunar, Ai que saudade Docê, Canção da Despedida (outra que fez muita gente chorar - e eu vi), Canta coração, Caravana, Você se lembra, Sabor Colorido, O amanhã é distante (uma das minhas preferidas), Sétimo Céu, Princípio do Prazer (das mais altruístas, que anima o espírito), Príncipe Brilhante.

De quebra, numa demonstração do verdadeiro espírito do cancioneiro popular, no bis, ainda deu grande oportunidade de que Raniery Gomes o acompanhasse na sanfona, junto com sua banda, cantando "Ai que saudade d'ocê", reconhecendo (porque ele faz jus ao reconhecimento) um sujeito que tem cantado forró de verdade pela Paraíba inteira e que mereceu, sem dúvidas, fazer parte daquela celebração.



Depois, Raniery continuou o show, cantando o forró autêntico, mostrando, por fim, o quanto Campina precisa de artistas que têm uma linha própria, trazendo a cultura do forró autêntico e alegrando sua audiência com um espetáculo apropriado à terra que se diz do forró e do Maior São João do Mundo.

A Fábrica de Eventos e a Cultura Inglesa estão de parabéns pelos projeto. Espero que continuem no intuito de trazer eventos culturalmente relevantes para a cidade. Organizados, respeitando o público e proporcionando alguma transformação cultural na cidade, que tanto necessita.

Fotos por Paloma.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Mano Chao - Estação Nordeste


Dia 29 de Janeiro, sábado, depois de matar a vontade de comer subway, praia de Cabo Branco para ver o show de Sex On the Beach e Mano Chao.

A primeira banda é instrumental e toca Surf Music (e também rock n' roll), abriu o show e foi muito aplaudida, sobretudo pela galera de Campina Grande, que prestigia a banda em suas apresentações na cidade (no Bronx, sobretudo). Ótima sacada, pois não conheço ninguém fazendo surf music na Paraíba além deles.

O outro show, o de encerramento do Estação Nordeste, era o de Mano Chao. Ele fez muito sucesso aqui no Brasil com o disco “Clandestino”, que é resultado das andanças desse artista muito carismático e empolgado, que sempre mistura ritmos e línguas em suas composições.

De fato, não se precisa conhecer todas as músicas para gostar do show de Mano Chao. É tanto ritmo gostoso de se curtir que parece que a gente vai dançando sem nem sentir. E as letras aparecem em inglês, em francês, em espanhol e em português. Além de galego. Das mais conhecidas (e esperadas pelo público para cantar junto com ele) estão Bongo Bong, Desaparecido, Me gustas tu e (talvez a mais de todas elas) Clandestino.

Mas é também de se notar que a presença dos únicos dois companheiro de Mano são extremamente relevantes em sua atuação. Sobreleva-se ainda mais a presença do guitarrista/violonista Madjid Fahen. O homem é muito fera e, além disso, extremamente performático.

Não sabia exatamente o porque da sua tamanha aproximação com o Brasil (ele fala português bem claramente). Mas pesquisando, descobri que ele morou no Ceará e lá tem um filho adolescente. Em outra oportunidade, em 1992, ele (e sua banda) tocaram ao longo da Costa da América Latina, parando, de barco, nas cidades portuárias. Tocaram na ECO-92 no Rio de Janeiro, assim, chegando lá de barco.

Apesar de ser francês, não vejo muita influencia da música francesa no show de Mano. E apesar de uma predominância de ritmos latinos durante a apresentação, também se sente uma tendência bem punk bem underground na tocada da banda (apesar de somente contar com violão, guitarra e bateria). E as letras também estão sempre a falar de alguém que está perambulando pelo mundo, pelas ruas, meio perdido, “clandestino”, curtindo viagens (em todos os sentidos), experiências sonoras as mais diversas, a paz, a tolerância e o amor.

Muito disposto no palco, acho que o show durou muito mais do que duas horas, tendo sido, inclusive, um pouco flexibilizada a lei do silencia na orla, pois passou bastante da meia-noite e Mano voltou para o bis duas vezes. Um show muito empolgante e dançante, onde se viu um artista muito entregue à festa inteira, e passou tal entrega para a galera nas areias da praia do Cabo Branco, mais uma vez premiada com uma apresentação memorável, fechando com chave de outro o projeto Estação Nordeste.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Zeca Baleiro - Estação Nordeste




Ao contrário do que aconteceu no show de Campina, no Garden Hotel (Festival de Inverno - Post aqui), obviamente que o show de Zeca Baleiro no Ponto Cem Réis, no centro da cidade de João Pessoa, na sexta, dia 28 de janeiro, foi regado a uma boa gelada cerveja, o que torna a coisa muito mais animada, apesar do aperto e do calor infernal.

Verdade, um aperto muito maior do que nas areias do Cabo Branco, um calor intenso sem a brisa marítima e uma estrutura muito menor do que a que foi montada na praia (difícil estacional, difícil se mover, difícil banheiro) dificulta um pouco a coisa toda, mas depois de Zeca entrou com "Alma não tem Cor", as dificuldades todas são esquecidas no som desse maranhense que tem ligações fortes com a paraíba, sobretudo pela parceria (ele de novo!) que mantém com Chico César.

De camiseta machão vermelha e boné (sem nenhum dos balangandãs com os quais muitas vezes entre no palco...) entrou o cidadão de São José de Ribamar (aliás é o nome dele) na praça do Ponto de Cém Reis, em frente ao Paraiba Palace.

O show, que tem por base o lançamento do "Coração do Homem Bomba", disco duplo de qualidade excepcional, que já comentei aqui, tem características muito inovadoras frente à tudo que Zeca já fez, mas sempre mantendo suas características que aparecem em todos os discos: O suíngue de seu violão, as letras muitíssimo bem construídas - falem elas de amor, sejam elas satíricas ou melancólicas - a influência do coco, do maracatu, do baião e do rock.

Uma das mudanças significativas do novo show, mas que não estava presente no palco de João Pessoa era o trio de metais, que dá uma vida muito intensa ao espetáculo, de modo que isso fez com que o show apresentado se tornasse mais rock n' roll ainda, porque as guitarras, normalmente, acabavam fazendo o papel dos solos dos metais na performance, sempre espetacular do multi-instrumentista Tuco Marcondes.

E de fato, o show foi eminentemente voltado para o rock. Músicas consagradas como "Bandeira", "Disritmia", "Vapor Barato" ou "Meu amor me ame", que quase sempre são tocadas, ficaram de fora do setlist. E nem acho que alguém tenha dado por falta delas.

Apesar do som quase sempre bem pesado da banda, Zeca parecia um pouco cansado. De fato, já o vi muito mais animado, divertido e brincalhão em outras oportunidades.

Mas tudo bem, tá valendo. No show, apresentou, além de "Alma não tem cor" do seu novo disco, "Toca Raul" (que veio seguida de "Quem não tem colírio usa óculos escuros), "Bola Dividida" (De Luis Ayrão), "Você não liga pra mim" e "Você é Má".

Do resto de seu setlist, as festejadas "Babylon" (que parece se tornar, a cada dia que passa, o Hino Zeca Baleiro), o povo sempre se empolga quando ele toca, "Despedi o meu Patrão", "Alma Nova", "Meu amor, minha flor, minha menina" (minha cara, minha Carolina...), "Lenha", "Quase Nada" (com a galera inteira batendo palma em sintonia geral...), "Mamãe Oxum"(coisa do cancioneiro tradicional que Zeca gosta muito - minha mãe diz que minha vó cantava isso pra ela), "Proibida pra mim" (que eu acho completamente dispensável no seu repertório"), "Telegrama" (acho que o segundo hino dele).

Ainda rendeu homenagens ao povo paraibano, cantando "Veja (Margarida)" de Vital, ressaltando todos os amigos que tem no Estado, elogiando demais projetos como o Estação Nordeste, que implementam a cultura do Estado e, claro, para consagrar de vez Chico César, no bis entrou no palco entoando "Paraíba meu Amor" e cantou "Pedra de Responsa" e até um carimbó de Pinduca saiu (Sinhá Pureza) junto com o Negão.

Finalizou o show com "Heavy Metal do Senhor", pra enlouquecer a galera. Mas em mim, deixou também a clara sensação de que o show, pelo tamanho e pela expressão de Zeca, deveria ter sido era na praia, muito mais apropriado para shows dessa envergadura.

E de lá... é o jeito ir para o Bebe Blues... ainda deu tempo de jogar umas fichinhas e curtir uma cervejinha... com a liga toda presente, é claro!